terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Filhos de Joseph Safra assumem comando do banco no Brasil

 Depois de quase cinco anos de preparativos, Joseph Safra deixou o dia a dia do banco Safra. O banqueiro entregou a gestão da 8º maior instituição brasileira em ativos a dois de seus quatro herdeiros. Treinados pelo pai dentro do banco desde o fim da adolescência, Alberto, de 33 anos, e David, de 28 anos, dão início à terceira geração à frente do Safra. A transição foi formalizada há cerca de um ano, mas foi neste que se tornou evidente para o mercado.
Engana-se, porém, quem pensa que "seu José" se aposentou. Aos 74 anos, o máximo que ele se permite até hoje é tirar alguns dias por ano de férias com a família. Firme no trabalho, Joseph Safra parte para um novo desafio: desenvolver o banco suíço Sarasin, comprado por ele em novembro do 2011 por US$ 1,1 bilhão.
A postos para a empreitada, o banqueiro agora passa a maior parte do ano na Suíça, dividindo-se entre as cidades de Genebra, base do J. Safra Suisse, fundado em 2000, e Basileia, sede do Sarasin. "Mas é claro que ele não deixou completamente de lado o Banco Safra e continua acompanhando o negócio", diz uma pessoa próxima ao banqueiro.
Pode parecer estranho, mas o 52º homem mais rico do mundo, com uma fortuna avaliada em US$ 13,8 bilhões, segundo o ranking da "Forbes", tem a tarefa inicial de se apresentar aos também abastados investidores do Sarasin. Bilionários de toda a Europa deixam sob a gestão do Sarasin - que até o ano passado era controlado pelo holandês Rabobank - US$ 106,8 bilhões.
"Lá fora seu José não é tão conhecido, principalmente quando se trata da Ásia. Num primeiro momento, a missão dele é pelo menos manter os ativos que tem sob gestão", diz uma pessoa próxima ao banqueiro. No primeiro semestre deste ano, o banco recebeu 472 milhões de francos suíços novos da clientela. Um ano atrás, o fluxo tinha sido maior, positivo em 3,9 bilhões de francos suíços.
É na Ásia que o Sarasin tem feito recentemente grandes esforços para crescer. Por enquanto, o continente é responsável por 18% dos clientes do banco. Para ampliar a presença por lá, no começo do ano o banco abriu uma agência em Cingapura. A equipe de Hong Kong também recebeu reforços.
A seu lado na Suíça, "seu José" tem como braço direito seu filho mais velho, Jacob, de 38 anos, que em julho assumiu um assento no conselho de administração do Sarasin. Há vários anos, Jacob é responsável pelos bancos da família fora do Brasil. Não são poucos. Além de Suíça, há instituições em Luxemburgo, Gibraltar, Mônaco, Bahamas e Estados Unidos.
Por aqui, os filhos Alberto e David ditam os rumos do Safra a partir do conselho de administração. Nenhum deles tem cargo na diretoria executiva. É Rossano Maranhão, ex-número 1 do Banco do Brasil, quem preside o banco desde 2008 e assim se mantém. Cabe a ele um papel mais institucional, das relações do Safra com seus mais variados públicos.
Mais velho, o herdeiro Alberto está incumbido do banco comercial. Não é uma tarefa exatamente nova para ele. Em 2004, o herdeiro abriu o banco J. Safra, fundado para competir com o próprio Safra quando os irmãos Joseph e Moise disputavam o comando do banco. O impasse só foi resolvido em 2006, quando Joseph comprou os 50% do irmão.
David, o filho mais novo, está com as rédeas do banco de investimento, com as atividades concentradas no J. Safra. Assim como os dois irmãos mais velhos, se formou na renomada escola de negócios Wharton, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.
Depois de uma fase de transição que se arrastou por pelo menos cinco anos, os dois irmãos assumiram um banco com R$ 92,6 bilhões de ativos totais, admirado pela concorrência pela habilidade de atravessar crises sem grandes turbulências. Mas que vem perdendo espaço para a concorrência nos últimos anos.
Em 2002, o Safra detinha 2,5% dos ativos do sistema financeira no Brasil. Hoje possui 1,9%. Logo atrás do Safra, na 9ª colocação entre os maiores bancos brasileiros, está o novato BTG Pactual, com R$ 7 bilhões a menos de ativos. O Votorantim também passou à sua frente, na 7ª posição. Em meio à recente escalada da inadimplência no sistema financeiro brasileiro, a carteira de crédito do Safra encolheu em 12 meses, para R$ 47,6 bilhões.
No mercado financeiro, profissionais questionam se sob o comando da nova geração da família o "modus operandi" do Safra continuará o mesmo. Para quem é próximo do banco, não restam dúvidas de que sim. "Os filhos são um pouco mais sofisticados na forma de tratar os negócios do banco, mas o conceito é o mesmo", diz um executivo. "A família conhece seus clientes como ninguém."



Autor(es): Por Carolina Mandl e Vanessa Adachi | De São Paulo Valor Econômico - 07/12/2012

Nenhum comentário:

Postar um comentário